top of page

Nosso conteúdo

Impactos da crise geopolítica do Oriente Médio na cadeia de fertilizantes

Atualizado: há 1 dia

O Sinprifert acompanha com elevada preocupação a deterioração do cenário geopolítico internacional e seus efeitos sobre as cadeias globais de energia e fertilizantes. O ambiente externo deixou de ser apenas uma variável de custo e passou a representar um risco real e estrutural para a produção e o fornecimento de insumos críticos à produtividade agrícola e à competitividade da indústria nacional. O Brasil é extremamente dependente de fornecedores externos de insumos agrícolas, o que amplia sua exposição em momentos de instabilidade internacional.


Dependência Externa de Fertilizantes pelo Brasil, por Nutriente (2025)

  Fonte: Sinprifert (2026)


A escalada do conflito no entorno do Golfo Pérsico e a disrupção no Estreito de Ormuz agravaram esse quadro. Trata-se de uma rota estratégica para o comércio global de energia e fertilizantes, cuja operação restrita elevou os custos e os riscos para toda a cadeia a níveis sem precedentes. Para o Brasil, os impactos recaem de forma mais aguda do que sobre seus concorrentes no mercado global de alimentos e commodities agrícolas, em razão de sua elevada dependência externa e da crescente disputa por insumos com a cadeia da transição energética, especialmente amônia, fosfato e enxofre.


Contribuição dos países do Golfo Pérsico para as exportações globais de fertilizantes

Fonte: FAOSTAT (2025)


Em 2025, o Brasil cobriu por meio de importações 97% de suas necessidades de nitrogênio (incluindo 100% da ureia), 74% de fosfato, 97% de potássio e 92% de enxofre, com parcela relevante desse volume exposta à rota de Ormuz. As importações atingiram o recorde histórico de 43,32 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior importador de fertilizantes do mundo. Isso significa que choques internacionais não afetam apenas os preços: comprometem o capital de giro, a formação de estoques, a operação industrial e, em última instância, a previsibilidade da produção agrícola brasileira.


O quadro é ainda mais sensível porque o problema não se limita ao produto final importado. A indústria nacional também depende de matérias-primas críticas, como enxofre e gás natural em condições competitivas, para viabilizar a produção doméstica. Sem gás competitivo, não há produção economicamente sustentável de amônia e fertilizantes nitrogenados. Sem enxofre competitivo, a produção de fertilizantes fosfatados também perde viabilidade. Sem medidas concretas para viabilizar e acelerar a produção nacional, o Brasil permanecerá exposto à ociosidade industrial, à perda de escala e ao aumento recorrente dos custos associados à sua vulnerabilidade externa, com efeitos diretos sobre um dos principais motores da economia nacional: o agronegócio. A cadeia de fertilizantes, portanto, deve ser tratada como infraestrutura crítica para a soberania produtiva do país.


Diante desse cenário, o Sinprifert defende uma resposta coordenada entre setor privado e poder público, com foco na continuidade do abastecimento, na preservação da liquidez e no fortalecimento estrutural da produção doméstica. No curto prazo, propomos: a calibragem operacional do piso mínimo de frete, para evitar uma explosão dos custos do transporte rodoviário; a reavaliação temporária dos efeitos da LC nº 224/2025 sobre cadeias essenciais, de forma a mitigar impactos pró-cíclicos; a aprovação do PL nº 699/2023 (PROFERT), para reduzir custos de CAPEX; a preservação da isonomia tributária entre a produção nacional e a importação; e a redução do preço do gás natural utilizado como matéria-prima a níveis competitivos.


A mensagem central é clara: fertilizantes deixaram de ser apenas um item de custo e passaram a integrar a agenda estratégica de resiliência nacional. Sem fertilizantes, não há produtividade agrícola. O Brasil seguirá vulnerável enquanto depender excessivamente de insumos importados, de rotas sensíveis e de condições domésticas que desestimulam o investimento industrial. O Sinprifert permanece à disposição para contribuir com medidas que protejam a produção de alimentos, reforcem a soberania produtiva e reduzam, de forma estrutural, a dependência e a vulnerabilidade externa do país.

Comentários


Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias Primas para Fertilizantes

@ 2019 - Sinprifert, todos os direitos reservados.

bottom of page