
Carta Aberta ao Brasil
O país que alimenta o mundo não pode depender do mundo para nutrir o próprio solo.
Todos os dias, em algum lugar do mundo, uma família se senta à mesa diante de um alimento que nasceu no Brasil. Somos um dos grandes celeiros do planeta. É motivo de orgulho e responsabilidade.
Hoje é o Dia Mundial dos Fertilizantes. Em 13 de outubro de 1908, a ciência registrou a descoberta que permitiu retirar do ar o nitrogênio de que as plantas precisam para crescer. Poucos sabem, mas o fertilizante está entre as invenções que mais salvaram vidas na história. Sem essa descoberta, metade da humanidade não teria o que comer, e a vida moderna, como a conhecemos, não existiria.
Escolhemos este dia para falar ao Brasil, porque nenhum país tem tanto a ganhar, ou a perder, com essa conquista. E porque as transformações globais e nacionais nos colocam numa encruzilhada: as decisões dos próximos anos vão decidir se seremos protagonistas dessa história ou dependentes dela.
Todos os dias, navios cruzam oceanos para trazer ao Brasil aquilo que nutre a nossa terra. Somos o maior importador de fertilizantes do mundo: de cada dez toneladas de nutrientes que repõem a fertilidade do solo brasileiro, nove vêm de fora.
Este é o paradoxo brasileiro: o país que alimenta o mundo depende do mundo para alimentar o próprio solo.
Por trinta anos, o Brasil tratou os fertilizantes como uma conta a fechar. Exportávamos alimentos e, com parte dessa riqueza, comprávamos lá fora os insumos de que precisávamos. A conta parecia simples. Ela custou R$ 1,4 trilhão, em valores de hoje.
Esse dinheiro gerou renda, empregos e fábricas em outros países. Hoje, essa capacidade depende de decisões que não são nossas: quando um país prioriza o próprio abastecimento, quando a disputa pela mesma matéria-prima cria escassez, quando sanções e disputas geopolíticas fecham portas. Quem controla os fertilizantes controla a produção de alimentos.
No Brasil, os fertilizantes estão na base de quase tudo o que o campo entrega: a ração que se torna proteína, os biocombustíveis que movem nosso transporte, a floresta plantada que vira papel e energia. Sem fertilizantes, não existe o agronegócio que sustenta um quarto da economia do país.
Essa cadeia também impulsiona o Brasil do futuro. A base industrial que sustenta a produção agrícola viabiliza ainda a extração de terras raras, a fabricação de ímãs e baterias e o desenvolvimento do hidrogênio verde. Sem essa capacidade, o país continuará exportando commodities e importando produtos de maior valor agregado. Com ela, cada fábrica erguida para nutrir a lavoura também fortalecerá um futuro mais inovador, sustentável e próspero nas regiões e municípios onde atuamos, interiorizando a nossa reindustrialização.
É com esse horizonte que renovamos nosso compromisso com o Brasil: transformar recursos e vantagens nacionais em tecnologia e competitividade para nutrir o país e o mundo, fortalecer a indústria e os empregos que ela gera, e promover um desenvolvimento mais sustentável, próspero e soberano. Para concretizar essa visão, assumimos, neste Dia Mundial dos Fertilizantes, cinco compromissos com o país.
Cinco compromissos com o Brasil:

Esta agenda não pertence apenas à indústria brasileira de fertilizantes. Ela pertence ao país, e ninguém a cumpre sozinho.
Convidamos a caminhar conosco todos os que acreditam que o Brasil é capaz de vencer grandes desafios, que não têm medo de sonhar grande e que sabem que o mundo mudou e que podemos escrever o nosso próprio destino. Que este dia marque o início de um movimento: o de um país que segue rumo ao futuro que deseja com as próprias pernas.
Brasil nasceu com a vocação de alimentar o mundo. Cabe a nós criar as condições para cumpri-la.
São Paulo, 13 de outubro de 2026
Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes - Sinprifert
Baixe aqui a versão em PDF
